19 de abr. de 2015
15 de dez. de 2014
Dona Maria que dança é essa que a gente dança só!
Todo dia levantava cedo, dobrava seu cobertor, fazia seu
café, varria seu meio metro de piso se balançando no ritmo do cantarolar
daquele que lhe alegrava os dias.
Ameiga seu anjo amigo, retira o cobertor de um palmo que o
protegeu do frio e de predadores, ele agradece gentilmente com os mais
maravilhosos cantos.
- Eu entendia o que ele dizia no canto! Resmunga baixinho envergonhada.
Nos seus 84 anos solidão não conhecia. Aquele assobiar
constante preenchia seus dias.
Às onze horas saia de casa. Em uma das mãos as marmitas dos
pedreiros da obra próxima de casa, na outra seu amigo precioso, que, em grades
amava e cantarolando saíam a passeio.
Cabeça branca, pano protege, olhos no chão sempre, não
poderia nunca cair, vigia sempre, pedra no chão, nada de mal lhe aconteceria se
cuidado tivesse nas ruas empoeiradas e esburacadas daquela vila do interior.
O amigo cantarolando, sol de inverno, comidinha cheirando,
passos lentos e vagarosos, lembranças dos filhos, lembranças felizes.
Rompeu um grito. - Ei! A Senhora!
Alegria partida, mão pesada veio roubar, dor cruel.
- O anel? tirei. machucava seu pezinho.
Pedidos e lamentos em vão, vista escureceu, mão alheia de
macho viril pesada a retirar-lhe o amigo. Chave de casa atirada à rua, muitos
assistem, nada podem fazer, uma voz ecoa, o companheiro da mão de ferro, como
que querendo se desculpar da agressão que não é sua, pega chave do chão,
carinhosamente devolve àquela que nada entende.
- Não acha que já abusou demais hoje? Resposta vem rápida -
“sou abusado mesmo”.
Olhos cansados só enxergam as casinhas gradeadas, numerosas
casinhas, seu amigo pra lá vai também.
Choro e dor. Levaram pra longe o amigo, pra outra cidade,
terra de ninguém.
Sem dormir, agora a mente é um filme. - Será que tem frio?
Ele só dorme coberto, o que foi feito dele? Nem mesmo perguntaram meu nome, nem
mesmo escreveram nada, seriam ladrões disfarçados? Aquela mão de asco, o que
fez do bichinho?
Acorda cedo, corajosa, vai enfrentar seus medos, leva na
sacola um registro, papel que acredita salvará seu amigo. Já não há mais tempo,
não se sabe quem o levou, quem era, nem pra onde foi.
Nos seus 84 anos, solidão agora conhece e lembranças são as suas
companheiras.
Lugar sagrado destinado aos filhos, que ali já não moram faz
tempão, agora é ocupado pela dor de não poder se defender, humilhada pela lei,
onde respeito deveria ser palavra de ordem.
Para quem sabe ler, letra é letra, pingo é pingo, toda ação
tem uma reação.
Estatuto do idoso existe, proteção aos pássaros também, na
ordem de prioridades não se sabe quem vem. Se lei é lei, podem tudo, menos o
que por ela é proibido, descumpriu, papel e caneta, anotação, notificação, auto
de infração, penalização.
E dentro de sua função, só o que previsto está, papel e
caneta, anotação, notificação, auto de infração, na falta dos itens, nada de
apreensão. Sem penalização.
Nos seus 84 anos, até pedido de desculpa basta, mas luto,
não terá tempo para acabar.
Assim, Dona Maria agora fica imóvel, olhando o tempo passar,
dançando só, pensamento em seu amigo cantador, atenta ao único som que restou,
vindo de um radinho de pilha velho que nunca lhe informou que não poderia ter
um amigo por trás das grades.
04.07.2010
04.07.2010
27 de ago. de 2014
O quarto do meio.
Esse foi um dia silencioso e cinza. O
frio tomou conta de mentes e corações antes inquietos, agora contemplativos. É
um instante que cora a face dos que, ainda sendo humanos, mostram sua nudez
identificando-se no que faz todos iguais. A passagem do cortejo ao som das
sirenes entre aplausos e lágrimas revelou uma emoção contida. Entre pensamentos
soltos veio a imagem daquele corredor de tábuas escuras. Parei entre os portais
que seguravam a porta clara que continha minhas imagens de infância. Três
quartos! O do meio era o das fantasias.
Na parede à esquerda, que se juntava ao
portal, havia a estante de portas de vidro, era a mais alta, com lindas
coleções de livros. Moravam ali os grandes pensadores ocidentais. Encarcerados
eles me olhavam através do vidro, eu, os cobiçava. Ousei vez por outra, em silêncio,
abrir muito devagar uma das portas de correr, para não chamar atenção, tomava
algum à mão, manuseava ali mesmo, de pé. Aleatórias leituras rápidas me traziam
curiosidade. Escritas de Deus, da morte, da vida, da política e da arte, uma
interrogação silenciosa que ficou sem perguntas e sem respostas.
Na parede imediata, que formava o ângulo
reto, encostava-se a estante permitida, nesta, os livros que me levavam às
viagens até as quatro horas da tarde, quando éramos chamados para o lanche e o
banho. Tomada de imagens me vi deitada com a barriga para baixo, naquela cama
que ficava colada à estante, joelhos dobrados, pernas cruzadas ao alto, livro
nas mãos.
Da janela gradeada que ocupava uma
parede inteira do quarto posso ver aquele quintal. Vejo-o nos dias de chuva e
em dias de sol Nós de tão pequenos parecia que tínhamos um quintal gigante. Nossa
caramboleira virava uma casa que nosso vô construía, fazendo das folhas de
bananeiras as paredes que dividiria os cômodos. Ali era a nossa casa da arvore,
no chão de terra com uma só coluna, paredes de folhas de bananeiras, amarradas
umas às outras pelos barbantes, que antes amarravam os embrulhos de pão,
telhado de folhas de carambola, móveis de pedras ou algumas tábuas velhas que
meu vô arrumava. Ele certamente construía a casa de seus sonhos também. Nunca
ouvi dizer que alguém teve uma casa de arvore assim, no chão, enorme! Após o
almoço, quando chegávamos da escola, era de lei ir para a casa de nossa vó. Uma
fila para tomar na mesma colher a gema de ovo de gansa com mel. Eca! Depois
suspiro das claras. Oba!
Volto os olhos para o lugar de dentro me
encontro defronte a penteadeira da parede à direita da porta, de um lado o
Cristo de cerâmica azul clara que com seus olhos nos seguia em qualquer direção.
Ele nos vigiava! Nada às escondidas, Ele nos via todo tempo! Era engraçado vira-lo
de costas para que Ele não pudesse acompanhar meus passos. Do outro lado, cremes
para pele e alguns bichinhos de vidro que me faziam sonhar. Dia destes é que
descobri como se faz os bichinhos de vidro. Um vídeo na internet mostrava o
artesão fabricando. Muito difícil e bonito o trabalho para fazer aqueles
cavalinhos de vidro que tanto iluminaram meus olhos.
Com o tempo os livros que ocuparam meus
dias tomaram outros rumos. As pessoas também. Carrego comigo tantas outras
humanidades, partes que se somaram às minhas, recortes colados para sempre
dentro ou pendurados feito móbiles dançando no ar. Levaram
também tantas partes seguidas. Até hoje a gigante borboleta preta traz notícias
ruins e dois homens vestidos de branco atravessam a calçada que levava à
varanda da sala, e o som triste do choro de minha avó ecoa pela casa.
São suaves e ternas as lembranças
daquela casa.
Minha bruxa de pano! Onde foi morar?
Um beija flor desmaiado ao bater na
vidraça, salvo pela água que minha avó pingava em seu frágil corpo; embalar o
morcego, que foi derrubado da árvore, com canções de ninar; as pontas das
grades, que após nocautear muitos de nós abrindo brechas na testa, foram
vestidas de retalhos para não mais ferir; as panelinhas minúsculas que
desapareciam e reapareciam misturadas na terra renovando a alegria; as roseiras
que davam tanto trabalho para não serem devoradas pelas formigas; ajudar meu
avô varrer o quintal e queimar folhas secas; catar borboletas de todas as
cores; esperar ansiosa pela chegada do tio que fazia mágicas incríveis com as
lentes voltadas para o sol, e depois, revelar madrugada a fora, com ele, os
filmes fotográficos ao som do aparelho que tocava discos antigos e muito
grossos com musicas de orquestras barrocas. Não sei se os outros gostavam tanto
quanto eu das músicas de meu tio. Era mágico ver as imagens aparecerem no papel
fotográfico. À tardinha era hora da estação da rádio perereca invadir os rádios
vizinhos. Oh coisa boa. Meu tio era biruta!!
Então foi assim que ao som das sirenes, mirei
tudo pela tela que me transportou à inexistente janela do quarto do meio, o
quarto da minha tia, que me ensinou ver as horas de pé, olhando para o relógio
que badalava as horas, beliscando meus braços a cada erro, me mostrou como
caminhar com os ombros para cima atravessando o cabo da vassoura entre minhas
costas e braços, depois ainda, me alertou que para andar com equilíbrio deveria
balançar os braços e me instruiu a amar seus livros quando a saudade por ela
apertou. Recordo sua roupa de veludo que minha avó costurou para que ela não
sentisse frio na viagem que a levaria à França.
Pequenos momentos de nós todos, criançada
que de mãos dadas percorreram beira do asfalto a caminho da casa da avó, num
filme feito da janela do quarto do meio. O quarto da minha tia.
13 de ago. de 2014
21 de jul. de 2014
Do mundo de lá
Pode ser pura bobagem, mas das notícias eu questiono:
Como é deixar que decidam por nós? Como é delegar a alguns que tomem por nós as decisões que nos destruirá?
Não sabemos e não saberemos a outra face nunca.
Cada um mostra suas motivações.
Vence ao final quem convence mais, seja pela destruição, seja pelo poder de impor seu pensamento ao conjunto todo.
A maioria de nós não sabe como será acordar ou dormir com o chamado aos nossos irmãos, pais, sobrinhos e amigos para enfrentar canhões e bombas em frente de batalhas. Não sabemos o que é ver ou ouvir as bombas caindo, a correria, os gritos e choro que seguem.
Como suportar essa selvageria se fomos criados para sorrir, trabalhar, e pensar na paz do mundo? Vivemos no país da alegria?
Não dá para sorrir com sinceridade vendo o que se passa no mundo.
A falta de razão prevalece.
Esperar algo que os faça voltar à razão, seguir em frente.
O que faz alguém ser afetado por radicalismos extremos se os debates mostram que a construção da guerra faz parte de um plano de várias forças aliadas, não importa o que pensa a população mundial dos que não mandam, dos que não tem poder de fogo, dos que apenas podem fugir.
Haja esperança para todos nós seguirmos em frente.
Como é deixar que decidam por nós? Como é delegar a alguns que tomem por nós as decisões que nos destruirá?
Não sabemos e não saberemos a outra face nunca.
Cada um mostra suas motivações.
Vence ao final quem convence mais, seja pela destruição, seja pelo poder de impor seu pensamento ao conjunto todo.
A maioria de nós não sabe como será acordar ou dormir com o chamado aos nossos irmãos, pais, sobrinhos e amigos para enfrentar canhões e bombas em frente de batalhas. Não sabemos o que é ver ou ouvir as bombas caindo, a correria, os gritos e choro que seguem.
Como suportar essa selvageria se fomos criados para sorrir, trabalhar, e pensar na paz do mundo? Vivemos no país da alegria?
Não dá para sorrir com sinceridade vendo o que se passa no mundo.
A falta de razão prevalece.
Esperar algo que os faça voltar à razão, seguir em frente.
O que faz alguém ser afetado por radicalismos extremos se os debates mostram que a construção da guerra faz parte de um plano de várias forças aliadas, não importa o que pensa a população mundial dos que não mandam, dos que não tem poder de fogo, dos que apenas podem fugir.
Haja esperança para todos nós seguirmos em frente.
25 de fev. de 2014
Dominar-se
O que faz faltar o ar.
Alegria repentina, emoção, encanto.
Saudade, ah! Esta saudade.
Voz mansa dizendo que o café ta pronto.
Gente miúda subindo correndo pra o café não perder.
Pão quente ainda na régua do forno de lenha
De quando a ingenuidade era permitida e arrancava sorrisos dos espertos adultos
De quando o que te empurrava pra fora do jogo era pisar na linha da amarelinha, pisar na corda, não conseguir um lugar no pique alto ou um lugar seguro no pique esconde.
Chegar ao céu era fácil, bastava pular numa só perna de quadrado em quadrado, saltando a pedra que era jogada.
Hoje saltar sobre as pedras não é tão fácil, elas estão em todo o caminho.
As cordas excluem e esconder é só para ser fugaz.
E o que faz faltar o ar...
A fumaça nos olhos
A saliva que engrossa
A palavra que não se diz
O eco silenciado
Na falta de respostas às perguntas de dentro
Faz faltar o ar
Não poder se explicar
Não entender o que se explica
Dominar-se.
Alegria repentina, emoção, encanto.
Saudade, ah! Esta saudade.
Voz mansa dizendo que o café ta pronto.
Gente miúda subindo correndo pra o café não perder.
Pão quente ainda na régua do forno de lenha
De quando a ingenuidade era permitida e arrancava sorrisos dos espertos adultos
De quando o que te empurrava pra fora do jogo era pisar na linha da amarelinha, pisar na corda, não conseguir um lugar no pique alto ou um lugar seguro no pique esconde.
Chegar ao céu era fácil, bastava pular numa só perna de quadrado em quadrado, saltando a pedra que era jogada.
Hoje saltar sobre as pedras não é tão fácil, elas estão em todo o caminho.
As cordas excluem e esconder é só para ser fugaz.
E o que faz faltar o ar...
A fumaça nos olhos
A saliva que engrossa
A palavra que não se diz
O eco silenciado
Na falta de respostas às perguntas de dentro
Faz faltar o ar
Não poder se explicar
Não entender o que se explica
Dominar-se.
14 de out. de 2013
11 de set. de 2013
PARA AÇÃO ILEGAL - REAÇÃO LEGAL
Quem aspira à tutela jurisdicional visando ao dano moral nos crimes contra a honra não deve ambicionar exclusivamente a uma indenização pecuniária, pois nenhuma valoração financeira extingue o malefício causado, e ficará valendo o dito popular: “não se juntará as plumas lançadas ao vento”.
8 de set. de 2013
MONTE de gente ALEGRE
Alegre de leveza no passo e fala mansa no ar.
Nos lábios sorriso farto, gargalhada tímida,
ombros largos que cabem um mundo.
Peito aberto, corpo fechado.
Nos olhos o céu límpido da consciência sem dor,
nos braços a força dos troncos,
nas mãos ágeis a brandura,
nos pés a segurança da terra.
Um altar que é pra todo mundo de paz.
É lá que a mesma mão traz a vida e a devolve à terra.
A cara da traquinagem escondida
sinaliza crianças brincando.
É perfume de paz.
Lacuna entre querer e não poder,
mas ainda assim fazer.
De tantas Marias que fazem,
esse Monte vai fazendo.
Árvores Marias cheias de graça, senhoras de si.
Bendita floresta do ventre livre,
rogai por todo delírio de quem te devastou
E sem piedade te plantou em outra terra.
São frondosas Árvores Marias
Que vão colorindo as danças,
tambores, flores, fogueiras
e todo o Monte Alegre de gente.
e todo o Monte Alegre de gente.
LStz
3 de set. de 2013
28 de fev. de 2013
Serenidade
Para encontrar um caminho não basta olhar de frente.Ao lado e para trás, insistentemente.Ir e voltar diversas vezes.Muitos caminhos percorridos e seus pés deixaram marcas.Observá-las.Dizer um "não" para uma oportunidade pode ser o inicio de um futuro "sim" para o crescimento.Quanta beleza tem dentro do dia, somam-se todos, cada um traz sua própria exuberância.LStz
28 de jan. de 2013
O Vigia
O
homem com as duas mãos agarradas ao portão de grades azuis, as minhas agarradas
ao volante.
No vidro os pingos fortes da chuvarada que cai.
Um dia cinza refrigerando a alma nesta terra tão quente. Notícias amargas de um domingo reflexivo.
A imagem do homem está lá.
Passará seu domingo ali,
sozinho, com seus pensamentos. No vidro os pingos fortes da chuvarada que cai.
Um dia cinza refrigerando a alma nesta terra tão quente. Notícias amargas de um domingo reflexivo.
A imagem do homem está lá.
Um carro para, o homem se levanta, o carro vai, nenhum movimento em sua direção.
Retorna a seu posto.
Senta-se olhando o nada.
Levanta-se ao surgir novo carro, espreita, espera, o carro vai, volta o homem a se sentar, as mãos agarram a grade azul como num abraço inanimado.
Outro carro. Os movimentos se repetem.
Continuo a poucos metros, parada, indecisa.
Esqueço o rumo que decidira tomar.
Observo o movimento lento a cada carro que entra no recuo para fazer retorno à cidade.
Quem sabe alguém parasse a se informar, quiçá alguém necessitando ajuda? Isso aliviaria a tensão daqueles braços agarrados à grade...
A visão da chuva caindo, o homem sempre pronto a atender, ninguém para.
Outros carros em movimento, tudo me faz retornar, passo devagar pelo homem que se levanta, agarra-se à grade, sempre a olhar.
Expectativas de romper o silêncio.
Sigo.
O vejo e me vejo através do espelho. Ele mira. Silenciosos.
A velocidade aumenta, admiro a chuva que agora é mansa.
Faço meu caminho de volta com o pensamento na expectativa solitária do vigia.
Ao retornar para os seus vai encontrar seu espaço, seu lugar, sua forma de viver, continuará silencioso acostumado àquele silêncio interior.
18 de nov. de 2012
11 de nov. de 2012
Um clarão na fresta da porta
Flores, flores, e mais flores
Flores, raízes e folhas
Troncos, frondosos troncos
Galhos
Flores caindo ao chão
Pétalas cingidas de folhas secas
Pó, pedra, terra e suor
Inanimados
Contempladores dos descalços pés
sobre as amarelas folhas
sobre as amarelas folhas
Espinhos
Som de paz e de guerra
No estalar das vencidas folhas secas
No silencio das pulverizadas pétalas
O rastejar dos pés
Lampejo
que se espreita pela fresta da cerrada porta
que se espreita pela fresta da cerrada porta
É o tempo que foi raiz, tronco, galho, folha, flor, pétala
Espinho cravado ao suor
do pé fincado na terra
pisando pedra, pó, folha, flor
Era para ser somente uma mística visão do sol se pondo
25 de out. de 2012
30 de ago. de 2012
Centenário do Professor Dr. Deusdedit Baptista
Num pequeno e singelo texto Laura Stanzani, lá de Portugal, curtiu o centenário do Professor Deusdedit Baptista. Recordou com as fotos de seu casamento civil no Brasil, que fora possibilitado pelo auxílio de Professor Dr., que assinava como procurador daquele que do outro lado do mar também se casava com ela por procuração.
"Meu querido professor que Deus deu - Deusdedit!
E Deus deu-te bondade, sabedoria, alegria, generosidade, dedicação e solidariedade para repartires com aqueles que tiveram a sorte de viver no teu tempo e no teu meio.
Eras um rosto da cidade. Um rosto aberto e sorridente. Sorrias todo, até às orelhas, com todos os dentes. Que lindo!
Agora lá estás com a nossa querida Théia. Esperem por nós, que vamos lá ter. Por enquanto ainda temos que ir lutando para sermos bons, generosos, dedicados, solidários e alegres.
Viva a alegria!
Um "bem-haja" a todos os que tiveram esta feliz iniciativa"
Laura Stanzani Lapa
7 de jul. de 2012
Sincronismo óptico
Sou pelo politicamente incorreto
Aquele que não vê explicação em verdade fabricada
Cuja visão despretensiosa consegue ver beleza até no que incomoda.
Sou também pelo politicamente correto
quando assim o for, de uma verdade pura, interna, intensa,
sem ser esponja de lugares comuns, pensamentos comuns.
O que é complexo é meu ímã.
Comportamentos que só se adequam a conceitos antigos
são apenas maquiagem de excremento.
Gosto dos loucos e dos santos, sim!
Mas não escolho meus amigos somente pelo brilho questionador.
É por algo maior!
É pela transmutação eclética do sincronismo óptico
que explode em invisíveis partículas os pensamentos mais secretos.
LStz
É por algo maior!
É pela transmutação eclética do sincronismo óptico
que explode em invisíveis partículas os pensamentos mais secretos.
LStz
3 de jul. de 2012
Lucidez
Marcada por um lampejo de fogo.
Travestida de lucidez, a taça.
Inteira, brilhante, delicadeza sutil.
Som bizarro penetrando almas
Bendita luz cruzando o ar
Decepando.
Metade, visão opaca, revirando os monstros
Maldita taça!
Bebeu o sol!
Engoliu a tarde!
Enegreceu o mundo!
Zombou de todos!
Serviu cicuta!
A taça louca
Na pretensão de ser Príapo
saudou seu Baco
partiu-se ao meio
saboreou seu vinho, seu corte.
LStz 02.06.2012
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