28 de fev. de 2013

Serenidade

Para encontrar um caminho não basta olhar de frente.Ao lado e para trás, insistentemente.Ir e voltar diversas vezes.Muitos caminhos percorridos e seus pés deixaram marcas.Observá-las.Dizer um "não" para uma oportunidade pode ser o inicio de um futuro "sim" para o crescimento.Quanta beleza tem dentro do dia, somam-se todos, cada um traz sua própria exuberância.LStz

28 de jan. de 2013

O Vigia



O homem com as duas mãos agarradas ao portão de grades azuis, as minhas agarradas ao volante. 
No vidro os pingos fortes da chuvarada que cai. 
Um dia cinza refrigerando a alma nesta terra tão quente. Notícias amargas de um domingo reflexivo.
A imagem do homem está lá.  
Passará seu domingo ali, sozinho, com seus pensamentos. 
Um carro para, o homem se levanta, o carro vai, nenhum movimento em sua direção. 
Retorna a seu posto. 
Senta-se olhando o nada.
 Levanta-se ao surgir novo carro, espreita, espera, o carro vai, volta o homem a se sentar, as mãos agarram a grade azul como num abraço inanimado.
Outro carro. Os movimentos se repetem.
Continuo a poucos metros, parada, indecisa. 
Esqueço o rumo que decidira tomar.
Observo o movimento lento a cada carro que entra no recuo para fazer retorno à cidade.
Quem sabe alguém parasse a se informar, quiçá alguém necessitando ajuda? Isso aliviaria a tensão daqueles braços agarrados à grade...
A visão da chuva caindo, o homem sempre pronto a atender, ninguém para. 
Outros carros em movimento, tudo me faz retornar, passo devagar pelo homem que se levanta, agarra-se à grade, sempre a olhar. 
Expectativas de romper o silêncio. 
Sigo. 
O vejo e me vejo através do espelho. Ele mira. Silenciosos.
A velocidade aumenta, admiro a chuva que agora é mansa.
Faço meu caminho de volta com o pensamento na expectativa solitária do vigia.
Ao retornar para os seus vai encontrar seu espaço, seu lugar, sua forma de viver, continuará silencioso acostumado àquele silêncio interior.

18 de nov. de 2012

Reflexos do dia

dia a dia...
O que me encanta nos poetas
nas cores e imagens de sonhar
o som do instrumento e a voz que faz emocionar. 
O que causa espanto.
Pensamentos! 
Imagem do mundo singular refletido por uma janela que se abre com o raiar do dia.
 e a noite... 
 é o espelho.

11 de nov. de 2012

Um clarão na fresta da porta



Flores, flores, e mais flores
Flores, raízes e folhas
Troncos, frondosos troncos
Galhos
Flores caindo ao chão
Pétalas cingidas de folhas secas
Pó, pedra, terra e suor
Inanimados
Contempladores dos descalços pés
sobre as amarelas folhas
Espinhos
Som de paz e de guerra
No estalar das vencidas folhas secas
No silencio das pulverizadas pétalas
O rastejar dos pés
Lampejo
que se espreita pela fresta da cerrada porta
É o tempo  que foi raiz, tronco, galho, folha, flor, pétala
Espinho cravado ao suor
do pé fincado na terra
pisando pedra, pó, folha, flor
Era para ser somente uma mística visão do sol se pondo

25 de out. de 2012

Aprendendo com o gaivota

Não mais me preocuparei se a decisão é correta.
Esta não existe.


30 de ago. de 2012

Centenário do Professor Dr. Deusdedit Baptista

                                                              
Num pequeno e singelo texto Laura Stanzani, lá de Portugal, curtiu o centenário do Professor Deusdedit Baptista. Recordou com as fotos de seu casamento civil no Brasil, que fora possibilitado pelo auxílio de Professor Dr., que assinava como procurador daquele que do outro lado do mar também se casava com ela por procuração.

"Meu querido professor que Deus deu - Deusdedit!
E Deus deu-te bondade, sabedoria, alegria, generosidade, dedicação e solidariedade para repartires com aqueles que tiveram a sorte de viver no teu tempo e no teu meio.
Eras um rosto da cidade. Um rosto aberto e sorridente. Sorrias todo, até às orelhas, com todos os dentes. Que lindo!
Agora lá estás com a nossa querida Théia. Esperem por nós, que vamos lá ter. Por enquanto ainda temos que ir lutando para sermos bons, generosos, dedicados, solidários e alegres.
Viva a alegria!
Um "bem-haja" a todos  os que tiveram  esta feliz iniciativa"
                                                                 Laura Stanzani Lapa

17 de jul. de 2012

Circulos


Ricardo Stanzani Toledo - 15.07.2012


Onde nasce a vontade criativa?
 da paz
da incerteza
da dor, da alegria
dos circulos viciosos
ou do nada
que só você sente.
LStz

7 de jul. de 2012

Sincronismo óptico

Sou pelo politicamente incorreto
Aquele que não vê explicação em verdade fabricada
Cuja visão despretensiosa consegue ver beleza até no que incomoda.

Sou também pelo politicamente correto
quando assim o for, de uma verdade pura, interna, intensa,
sem ser esponja de lugares comuns, pensamentos comuns.

O que é complexo é meu ímã.
Comportamentos que só se adequam a conceitos antigos
são apenas maquiagem de excremento.

Gosto dos loucos e dos santos, sim!
Mas não escolho meus amigos somente pelo brilho questionador.

É por algo maior!


É pela transmutação eclética do sincronismo óptico

que explode em invisíveis partículas os pensamentos mais secretos.
LStz



3 de jul. de 2012

Lucidez

Marcada por um lampejo de fogo.
Travestida de lucidez, a taça.
Inteira, brilhante, delicadeza sutil.

Som bizarro penetrando almas
Bendita luz cruzando o ar
Decepando.
Metade, visão opaca, revirando os monstros

Maldita taça!
Bebeu o sol!
Engoliu a tarde!

Enegreceu o mundo!
Zombou de todos!
Serviu cicuta!

A taça louca
Na pretensão de ser Príapo
saudou seu Baco
partiu-se ao meio
saboreou seu vinho, seu corte.

LStz 02.06.2012




26 de jun. de 2012

Relógio


              
Espantalho
Relógio parado
Olhando
Não conta minutos
Não tem pressa de nada
Fica
Ponteiro de pouso
Para o que voa, flutua e grita  pensamentos

25 de jun. de 2012

...Roda

A surpresa atingiu a bomba d'água.
Vermelho o chão.
Eis que surge a roda que um dia fez pulsar a água clara que circulava límpida.
Num leito verde devassado por paredes que não mais se vê.Caída a roda.
Restou ao complexo cinza se colorir com imagens mentais.
Plainava sobre a Roda Morta do mais maldito dos malditos e os ancestrais que ali passaram.
O triste em tudo isso é tudo isso.
                                                                           

18 de jun. de 2012

Disfarce



O que deseja não é o que faz. 
Sem sentido.
O que diz é disfarce.
Seu, meu disfarce! 
Amado disfarce.
Deixa viver sem o risco do ataque inédito.
Sonhar, sem perder a essência.
Serenidade que abriga a alma.
Um sossego que aquieta e acalma
ou quem sabe queime e incendeie.
Um amado disfarce.
Que faça forte para não sucumbir,
posto que a alma em chamas é frágil.
É doce.
É dia em que enxergas por dentro, 
derrete o gelo 
escorre à face.
É dia em que o tapete voou
poeira levantou
Olhos de espanto avermelham o céu.
Amado disfarce
Esvai-se devagar
Que o rancor não te roube lugar
Que a brandura se achegue mansinho
E antes do anoitecer já amara estar só novamente.
Lerá livros antigos
recordará dias com amigos
Redescobrira 
Seus desejos com sentidos, 
Revolucionará esse mundo caduco
E sem disfarces,
brandura e alma lavada 
Traduzirá
Singeleza 
Fragilidade perfeita.
LStz
           




17 de jun. de 2012

Como nos conduzimos



O comportamento de um único sujeito pode acarretar danos ou benefícios a um indivíduo ou a um grupo, porém um momento visto isoladamente não pode definir caráter ou a falta deste. 
A constância de determinados comportamentos sim, pode na relação de intensidade, tempo e espaço definir com quem estamos nos relacionando.
Embora uma atitude isolada possa dizer muitas coisas a respeito da personalidade, das máscaras, não pode definir o caráter.
Podemos, por exemplo, mostrar insegurança diante de fatos novos, medo, raiva, ter um sentimento negativo em relação à confiança, alegria, enfim, motivações que podem nos levar a tomar atitudes repulsivas que nos surpreendem.
O fato é que cobramos do outro atitudes que não temos, e isso é uma constante. 
Eu, tu, ele, nós, vós, eles, todos atuamos com nossos papeis, não importa a "caracteriologia".


8 de jun. de 2012

Resposta

 O tempo persegue e esse pêndulo anda rápido.
Ludibriá-lo
Esconde-esconde, lá vem ele, um passo sempre adiante. 
Resolve então andar atrelada a ele, não se pode pará-lo.
Corre junto apostando todos os dias que ele não passe à frente.
Permanecer...
Em algum lugar, algum tempo que ficou pra traz, distante.
Tempo em que poderia ter feito escolhas.
Reaparecem todas
Não há respostas, só tempo.
Tempo passado e presente
                LStz


23 de mai. de 2012

Prudência

O segredo que há, ali está,
sob a sombra de gestos frescos, adocicados.
Guardado!
Nem tanto por segredo ser.

Talvez para não se mostrar como um mal
que visa essa trama torpe de se perpetuar
e sobre toda a espécie prevalecer.

Maniqueísmo do mundo moderno.
Lstz

Telas que pintam no céu


A imagem de um entardecer faz-me refletir. A velocidade com que se modificam os tons do infinito parece competir com a velocidade que fixo ao acelerador, tudo vai mudando, as cores, as paisagens, os pensamentos. 
A lua ainda branca aguarda seu momento de cena. Não podem brilhar ao mesmo tempo. 
Sigo viajando. Refletindo.
Falta-me aptidão para admirar relações que simbolicamente são encontros de consoantes e vogais.
Relações com excesso de individualismo, mas sem personalidade, sem particularidade, estas não deveriam fazer parte de meu vocabulário. As sustento.
Vejo a nuvem escura. É dom. O sol consente que a nuvem pesada e escura passe à sua frente, e pacientemente a deixa transitar!
Tão logo ela se vai...devagarinho...mudando de formas, lá vem ele novamente, os raios, riscando de arte o infinito...
Mistura azul intenso, alaranjado, cinza amarelado, cores no alto que vão plainando, colorindo com uma mão invisível as telas da minha vida.
LStz




                                          2012 

22 de mai. de 2012

Desenrolar do Pergaminho

Por vezes acordo no meio da noite e me ponho a escrever. Às vezes é só uma frase que surge do nada, avulsa, sem sentido aparente. Outras vezes são ideias, pensamentos completos. Há noites em que chego a preencher folhas inteiras, o raciocínio flui velozmente, sem autodomínio. Hoje, já durmo com papel e caneta no travesseiro ao lado.
Não quero ser surpreendida por esta compulsão, que me arrebata nas madrugadas, me forçando a sonambular pela casa em busca de local para depositar o conteúdo do meu pensamento que, aos borbotões, emerge do meu inconsciente. Isso começou quando eu era, ainda, uma adolescente.
Lembro que a primeira vez que isso me aconteceu, eu devia ter uns quatorze anos, por aí. Interessante é que não se tratava de um texto. Era o desenho de um pergaminho, com as pontinhas enroladas e tudo. Daqueles que o mensageiro do rei usava, para levar mensagens de um canto ao outro do reino, lembra? Foi assim que tudo começou.
Não levei muito a sério. Na época achei o máximo descobrir como se desenhava um pergaminho. Houve um tempo que cheguei a pensar que não era eu quem escrevia, achava esquisito ter esses lampejos noturnos, mas acabei me acostumando. Escrevo mesmo no escuro, em linhas tortas, com letras garranchadas.
No princípio só falava sobre isso em casa com os mais próximos. Hoje, não temo mais que me considerem “diferente”. Na verdade, não sei bem o que entendem por diferente. Tão bonzinhos!...
É bem verdade que nunca ouvi alguém dizer que tem sintomas semelhantes aos meus, mas de uma coisa estou certa, não se trata de nenhuma patologia. Até me sinto muito bem quando isso acontece e só tomo conhecimento, de fato, do conteúdo do que escrevi, quando acordo pela manhã.
A maioria desses escritos acaba mesmo é na lata do lixo.
Não sou aquilo que se pode chamar de uma pessoa organizada, pelo contrário. Sonho em ter uma secretária que passe os dias ao meu lado, recolhendo minhas ideias, meus pensamentos, minhas frases, minhas palavras e que depois organize tudo e me entregue digitado e salvo em um pen drive.
21/05/2012 Maria Regina Torres

2 de mai. de 2012

Toalha de papel

As escritas sobre a mesa
desenhando vida de caneta azul
desenrolando enigmas
das opiniões circulares
que em sincrônia dançam
a nossa frente

O choro da garrafa gelada

se mistura a tinta
De azul
vai pintando a vida
O invisível Freud
Interroga, exclama!

Consagrado está

no papel da mesa
o destino delirante
dos que sabem
onde sombra e luz
se encontram.
É sempre, ao final um belo papel!

LStz










5 de abr. de 2012

Camaleão

Não há certeza em nada
nem mesmo no que momentaneamente te ocorre
na mente, ao redor...
Mas há que se fazer escolhas!
Separar, passar uma peneira em tudo que te rodeia
Não lamentar perdas inúteis.

Acreditar, mesmo na incerteza, ainda que com espanto,
que os interesses que movem o mundo
que chega até você em dado momento,
são os degraus sórdidos que se busca para se chegar ao topo do nada.

Crendo, seja você o nada aos olhos do mundo,
e seja você o tudo que deseja ser
Ao espanto, silencio
Ao sangrar, sorriso...e livro
LStz