16 de jul de 2016

"Eu sei que quando acordo eu visto a cara falsa e infame como a tara do mais vil dentre os mortais"






24 de mai de 2015

Diário de domingo de outono.

É mês de maio, já quase no final. O dia veio com a luz límpida, aquecendo e deixando tudo mais claro, improvisando um cenário de alegria e contentamento.

O calor já não é tão intenso como na estação pretérita, e as noites gradativamente crescem mais que os dias. nos trazendo maior conforto para observações.  

Uma tarde de outono deixa tudo mais tranquilo, nos dando oportunidade para vivificar. Um pouco mais de vento, pássaros que cantam com mais intensidade, as pessoas que se recolhem mais cedo exaltando o silêncio. Ponho-me a escrever as emoções que afloram com a tarde.

Tem um bem te vi que todos os dias ocupa o mesmo lugar na castanheira anunciando que a noite está chegando acelerada. Os beija flores em disparada disputam o bebedouro e as garças do Rio Itapemirim em revoada se apressam para ocupação de seus postos. O céu do Itabira, que agora é de um alaranjado menos intenso que o do verão faz lembrar das  cores com que pintei os meus momentos. Todos de cores fortes. Todos intensos.

De toda a paisagem vem a lucidez dessa tarde de outono, proporcionando maior entusiasmo para as reflexões positivas das ofertas que a vida faz, inspirando beleza e ao mesmo tempo melancolia, mostrando a transição entre um acontecimento e outro. 

Todo acontecimento é algo que passa do lado de fora, só produzindo emoções e interrogações se tocar o lado de dentro. Nesse momento é que damos conta da importância que eles tem, diferentemente para cada um. Ele é o ponto de partida para mudanças. Quem presencia o mesmo acontecimento mas não o remete ao interior não produz emoção, não traz em si a reflexão.

É tempo de mudança! É outono. Em muitos lugares, mas não em todos, a queda das folhas deixam as árvores nuas, renovando a vida ciclicamente. A cada novo acontecimento deveríamos nos impôr o questionamento das certezas que trazemos como definitivas, transmutando o pensamento, renovando a vida.

Inserida na paisagem da tarde de outono estou sóbria, sem lamentos ou grandes considerações. Agradecida vejo a entrada da noite, o silenciar dos pássaros, os cães que começam a anunciar que estão famintos e à disposição para um passeio, 

Imagem: LRStz - 

15 de dez de 2014

Dona Maria que dança é essa que a gente dança só!

Todo dia levantava cedo, dobrava seu cobertor, fazia seu café, varria seu meio metro de piso se balançando no ritmo do cantarolar daquele que lhe alegrava os dias.

Ameiga seu anjo amigo, retira o cobertor de um palmo que o protegeu do frio e de predadores, ele agradece gentilmente com os mais maravilhosos cantos.

- Eu entendia o que ele dizia no canto! Resmunga baixinho envergonhada.

Nos seus 84 anos solidão não conhecia. Aquele assobiar constante preenchia seus dias.

Às onze horas saia de casa. Em uma das mãos as marmitas dos pedreiros da obra próxima de casa, na outra seu amigo precioso, que, em grades amava e cantarolando saíam a passeio.

Cabeça branca, pano protege, olhos no chão sempre, não poderia nunca cair, vigia sempre, pedra no chão, nada de mal lhe aconteceria se cuidado tivesse nas ruas empoeiradas e esburacadas daquela vila do interior.

O amigo cantarolando, sol de inverno, comidinha cheirando, passos lentos e vagarosos, lembranças dos filhos, lembranças felizes.
Rompeu um grito. - Ei! A Senhora!  

Alegria partida, mão pesada veio roubar, dor cruel.

- O anel? tirei. machucava seu pezinho.

Pedidos e lamentos em vão, vista escureceu, mão alheia de macho viril pesada a retirar-lhe o amigo. Chave de casa atirada à rua, muitos assistem, nada podem fazer, uma voz ecoa, o companheiro da mão de ferro, como que querendo se desculpar da agressão que não é sua, pega chave do chão, carinhosamente devolve àquela que nada entende.

- Não acha que já abusou demais hoje? Resposta vem rápida - “sou abusado mesmo”.

Olhos cansados só enxergam as casinhas gradeadas, numerosas casinhas, seu amigo pra lá vai também.
Choro e dor. Levaram pra longe o amigo, pra outra cidade, terra de ninguém.

Sem dormir, agora a mente é um filme. - Será que tem frio? Ele só dorme coberto, o que foi feito dele? Nem mesmo perguntaram meu nome, nem mesmo escreveram nada, seriam ladrões disfarçados? Aquela mão de asco, o que fez do bichinho?

Acorda cedo, corajosa, vai enfrentar seus medos, leva na sacola um registro, papel que acredita salvará seu amigo. Já não há mais tempo, não se sabe quem o levou, quem era, nem pra onde foi.

Nos seus 84 anos, solidão agora conhece e lembranças são as suas companheiras.

Lugar sagrado destinado aos filhos, que ali já não moram faz tempão, agora é ocupado pela dor de não poder se defender, humilhada pela lei, onde respeito deveria ser palavra de ordem.

Para quem sabe ler, letra é letra, pingo é pingo, toda ação tem uma reação.

Estatuto do idoso existe, proteção aos pássaros também, na ordem de prioridades não se sabe quem vem. Se lei é lei, podem tudo, menos o que por ela é proibido, descumpriu, papel e caneta, anotação, notificação, auto de infração, penalização.

E dentro de sua função, só o que previsto está, papel e caneta, anotação, notificação, auto de infração, na falta dos itens, nada de apreensão. Sem penalização.

Nos seus 84 anos, até pedido de desculpa basta, mas luto, não terá tempo para acabar.

Assim, Dona Maria agora fica imóvel, olhando o tempo passar, dançando só, pensamento em seu amigo cantador, atenta ao único som que restou, vindo de um radinho de pilha velho que nunca lhe informou que não poderia ter um amigo por trás das grades. 
04.07.2010 

13 de ago de 2014

21 de jul de 2014

Do mundo de lá

Pode ser pura bobagem, mas das notícias eu questiono: 
Como é deixar que decidam por nós? Como é delegar a alguns que tomem por nós as decisões que nos destruirá? 
Não sabemos e não saberemos a outra face nunca. 
Cada um mostra suas motivações. 
Vence ao final quem convence mais, seja pela destruição, seja pelo poder de impor seu pensamento ao conjunto todo.
A maioria de nós não sabe como será acordar ou dormir com o chamado aos nossos irmãos, pais, sobrinhos e amigos para enfrentar canhões e bombas em frente de batalhas. Não sabemos o que é ver ou ouvir as bombas caindo, a correria, os gritos e choro que seguem.
Como suportar essa selvageria se fomos criados para sorrir, trabalhar, e pensar na paz do mundo? Vivemos no país da alegria? 
Não dá para sorrir com sinceridade vendo o que se passa no mundo.
A falta de razão prevalece. 
Esperar algo que os faça voltar à razão, seguir em frente. 
O que faz alguém ser afetado por radicalismos extremos se os debates mostram que a construção da guerra faz parte de um plano de várias forças aliadas, não importa o que pensa a população mundial dos que não mandam, dos que não tem poder de fogo, dos que apenas podem fugir. 
Haja esperança para todos nós seguirmos em frente.

25 de fev de 2014

Dominar-se

O que faz faltar o ar.
Alegria repentina, emoção, encanto.
Saudade, ah! Esta saudade.
Voz mansa dizendo que o café ta pronto.
Gente miúda subindo correndo pra o café não perder.
Pão quente ainda na régua do forno de lenha
De quando a ingenuidade era permitida e arrancava sorrisos dos espertos adultos
De quando o que te empurrava pra fora do jogo era pisar na linha da amarelinha, pisar na corda, não conseguir um lugar no pique alto ou um lugar seguro no pique esconde.
Chegar ao céu era fácil, bastava pular numa só perna de quadrado em quadrado, saltando a pedra que era jogada.
Hoje saltar sobre as pedras não é tão fácil, elas estão em todo o caminho. 
As cordas excluem e esconder é só para ser fugaz.
E o que faz faltar o ar...
A fumaça nos olhos
A saliva que engrossa
A palavra que não se diz
O eco silenciado
Na falta de respostas às perguntas de dentro
Faz faltar o ar
Não poder se explicar
Não entender o que se explica
Dominar-se.

14 de out de 2013

Dentro

Não há lugar seguro àqueles que guerreiam a vida.
Alheia.
Mata-se muito!
Os muitas vezes mortos ressuscitam nas noites.
Apreciam o silencio, ascendem.
Transcendem a um lugar chamado dentro.


11 de set de 2013

PARA AÇÃO ILEGAL - REAÇÃO LEGAL

Quem aspira à tutela jurisdicional visando ao dano moral nos crimes contra a honra não deve ambicionar exclusivamente a uma indenização pecuniária, pois nenhuma valoração financeira extingue o malefício causado, e ficará valendo o dito popular: “não se juntará as plumas lançadas ao vento”.

8 de set de 2013

MONTE de gente ALEGRE

     Alegre de leveza no passo e fala mansa no ar. 
    Nos lábios sorriso farto, gargalhada tímida,
    ombros largos que cabem um mundo.
    Peito aberto, corpo fechado.

    Nos olhos o céu límpido da consciência sem dor,
    nos braços a força dos troncos, 
    nas mãos ágeis a brandura,
    nos pés a segurança da terra.

    Um altar que é pra todo mundo de paz.
    É lá que a mesma mão traz a vida e a devolve à terra.
    A cara da traquinagem escondida 
    sinaliza crianças brincando.

    É perfume de paz.
    Lacuna entre querer e não poder, 
    mas ainda assim fazer.
    De tantas Marias que fazem,
    esse Monte vai fazendo.

    Árvores Marias cheias de graça, senhoras de si.
    Bendita floresta do ventre livre, 
    rogai por todo delírio de quem te devastou 
    E sem piedade te plantou em outra terra.

    São frondosas Árvores Marias
    Que vão colorindo as danças, 
    tambores, flores, fogueiras 
    e todo o Monte Alegre de gente.
                                   LStz



 


 
 
 
   
 
 
 
 
   

3 de set de 2013

"Museu da Saudade"

           A vida é um recomeçar a cada momento.
Edgar Morin


                                 
                      Foto LSTZ - no "Museu da Saudade" - João Bosco Côgo - Guaçui - ES